Adubação em bonsai – Parte 2

Peço desculpas primeiramente pela demora em soltar essa segunda parte do artigo, mas tem sido dias corridos por aqui.

Na primeira parte desse artigo eu falei bastante sobre a função fisiológica das plantas, os mecanismos da absorção e transporte de água e nutrientes nos vegetais e arranhei um pouco sobre a mobilidade dos íons (nutrientes) no substrato.

Nesta segunda parte pretendo abordar mais os conceitos de adubação, porque adubar, sinais de falta de adubação, etc.. Tipos de adubos e nutrientes devem ser abordados na próxima parte.

Porque adubar?

Os mais antigos não costumam adubar as plantas que tem em vasos, nem tão pouco regar com freqüência, as plantas ficam lá, lindamente adornando o jardim, mas com certeza seus avôs até se esqueciam que elas estavam lá, então porque temos que ter tanto cuidado com a adubação dos bonsai?

A diferença entre as plantas dos seus pais e avôs e os bonsai está no tamanho do vaso e no substrato, eles geralmente usam aquela terra preta de jardim, o fato dela ser preta é indicio de que seja riquíssima em material orgânica, portanto ela deve reter muita água e ser rica em nutrientes como hidrogênio.

É incrível o quanto eu me pego repetindo isso aqui no blog, mas vou repetir assim mesmo, bonsai em geral ficam em vasos muito restritos em termos de tamanho, a quantidade de substrato é pequena e portanto os nutrientes contido originalmente nele é bastante diminuta.

Além do fator espaço existem fatores que levam a depleção de nutrientes no solo, um já citado no artigo anterior é a absorção pela planta, outro fator é a lixiviação.

Em se tratando de substrato, devemos sempre avaliar o pH e a CTC nos substratos antes de ver os valores de nutrientes pois muitos deles ficam indisponíveis em solo com CTC ou pH baixos.

O CTC

O CTC (Capacidade de Troca de Cátions) é uma medida experimental que mostra a capacidade do solo captar cátions, quanto maior essa medida maior será a capacidade do substrato reter nutrientes, contudo essa não é uma medida fácil de se obter, portanto o mais comum ao se fazer um mix de substrato é estimar ela.

Solos orgânicos geralmente tem maior CTC, porém tendem a ter o pH mais ácido, contudo usa-se uma porcentagem muito baixa de solo orgânico em substratos para bonsai, portanto no geral o CTC não fica muito alto e nem o pH muito baixo, portanto a capacidade de retenção dos substratos para bonsai em geral são baixos.

Por estes motivos é necessário que os nutrientes nos vasos de bonsai precisam ser repostos constantemente.

A lixiviação

Quando regamos nossas plantas, a água escoa pelo substrato e provoca um efeito indesejável, a lixiviação de nutrientes. A lixiviação é o processo de extração de uma substância presente em componentes sólidos através da sua dissolução num líquido, em outras palavras, os nutrientes vão embora pelo fundo do vaso junto com a água.

Por este motivo é importante usar materiais na mistura de seu substrato que retenham nutrientes dos adubos e assim desacelere o processo de lixiviação, em geral materiais porosos com grande capacidade de retenção de líquido retém também nutrientes, por exemplo a vermiculita.

Sinais de falta de adubo

Sempre que a planta estiver com falta de algum nutriente ela apresentará sinais dessa carencia, entre os sinais mais visíveis estão o retardamento do crescimento, amarelamento e necrose de folhas e queda prematura destas.

Cada nutriente apresenta sinais típicos quando a planta tem carencia deste, isso será melhor abordado na próxima parte deste artigo quando falaremos sobre a importância de cada nutriente.

Contudo é necessário cuidado ao diagnosticar como carencia nutricional algum sintoma que a planta esteja apresentando, deve-se sempre considerar a possibilidade de alguma doença ou praga antes de efetuar a adubação.

Alguns efeitos da falta de certos nutrientes pode ser desejados, por exemplo, a falta de nitrogênio acarreta em redução das folhas. Apesar disso ele é um macronutriente essencial e não deve faltar nunca, ele pode ser usado em menor concentração em relação a outros nutrientes mas não deve nunca ser ausente.

Quando adubar

Além de efetuar a adubação quando existem sinais de carência nutricional, é preciso ficar atento as estações, em geral se aduba nos períodos em que a planta se desenvolve mais e portanto necessitam de mais nutrientes, isso seria na primavera e no verão.

Seria o caso se não estivéssemos em um país tropical, em muitas regiões de nosso território é verão praticamente o ano todo e portanto as plantas não chegam a entrar em dormência, neste caso pode ser o caso para adubar.

A diferença entre o veneno e o remédio é a dose, essa máxima é verdadeira em se tratando de adubos, pois o excesso causa a morte das raízes, a adubação portanto deve ser sempre em pequenas doses e de forma constante, dessa forma não precisamos esperar que a planta de sinais de carencia nutricional para adubar garantindo assim uma quantidade suficiente de nutrientes disponíveis sem o risco de danos.

Contudo, se a região onde mora possui estações bem definidas e as plantas entram em período de dormência, deve-se diminuir a adubação no outono e cessar no inverno.

Como a necessidade é a mãe de todas as coisas, é preciso se ater as necessidades da planta, ou devemos nos adiantar a essas necessidades, por exemplo, quando se pretende fazer uma poda radical é bom fazer uma adubação com adubo liquido  de formulação 4-14-8. Essa adubação rica em fósforo pois este macro nutriente esta diretamente relacionado na formação de energia vegetal, como veremos na próxima parte deste artigo.

Quando não adubar

Durante o inverno quando a planta esta em dormência, não se deve adubar  pois o excesso de adubo no substrato que não é absorvida pela planta, se não queimar as raízes podem afetar o pH do substrato deixando mais ácido e assim afetando a saúde da planta.

Da mesma forma não é aconselhável adubar durante os períodos de maior calor e baixa umidade no ano, como já vimos na primeira parte deste artigo, a água entra para dentro da raiz pela pressão osmotica positiva da raiz, quanto maior a pressão mais fácil a absorção. O excesso de adubação pode diminuir a diferença de pressão osmótica entre substrato e raiz, e assim a quantidade de líquido absorvido pode não ser o suficiente para suprir a transpiração, causando a desidratação.

Da mesma forma que não devemos adubar plantas sobre stress, da mesma forma não devemos adubar plantas que estejam doentes, adubo é alimento e não remédio, portanto, a menos que a causa dos sintomas na planta não seja carencia de nutrientes não adube a planta.

Plantas recém transplantada também não devem ser adubadas, neste último caso deve-se esperar cerca de três meses antes de efetuar uma adubação, contudo o uso de enraizado é aconselhável mesmo este contendo minerais.

Considerações

Eu iria incluir a detalhamento dos nutrientes nesse artigo, mas achei que essas considerações fossem importantes antes de falar mais a fundo no assunto, de forma que o artigo estava se alongando de mais, então decidi dividir o artigo em mais uma parte.

Desejo não atrasar novamente a próxima parte, espero que tenham gostado do assunto até aqui, agradeço se deixar seus comentários com suas impressões sobre o artigo, críticas e sugestões são bem vindas.

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comentários

One thought on “Adubação em bonsai – Parte 2”

  1. Excelente matéria no tocante ao direto interesse de bonsaístas. Uma das áreas menos observadas é essa. Pensamos estar fazendo a coisa correta, e estamos adubando de qualquer forma, ou para mais ou para muito menos. Parabéns pela iniciativa André. Excelente contribuição e enriquecimento do grupo.

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