Estaquia

A estaquia é um processo de propagação de plantas, outros métodos seriam por semente e alporquia. Algumas espécies aceitam estaquia de raiz, estaquia de galhos grossos e outras somente de galhos não lenhosos.

Uma lista (de cabeça, desculpa mas não está completa) de espécies que aceitam estaquia: Acer (todas), Ulmus (raiz também), Serissa (galho grosso também), Ficus (todas, Ficus carica também aceita de raiz), Primavera (também de galhos grossos inclusive tronco), Prunus mume, Jasmin, Azalea, Piteco (Chloroleucon tortum, aceita também de galho grosso), Zelkova, etc…

Parte das imagens abaixo e do texto é uma adaptação de um tópico do IBC.

 Preparação das estacas:

Geralmente esse procedimento é deito durante a primavera quando as plantas estão em pleno crescimento, porém pode ser feito durante o verão em alguns casos.

É utilizado galhos longos (cerca de 20cm), as estacas são feitas cortando, em média, deixando dois entre-nós (gemas axiais), as primeiras estacas a partir da base do galho são geralmente mais resistentes a fungos e ainda são flexíveis o suficiente para conter células embrionárias que formaram um calo na base onde surgirá o novo sistema radicular.

A transpiração das plantas se dá através das folhas, se deixadas podem desidratar as estacas, mas se deve corta-las fora ou reduzir o tamanho (pela metade) delas depende muito da espécie e do clima de onde você vai realizar o procedimento, mas a maior parte da energia que a planta vai utilizar nessa faze deve vir das reservas contidas na própria estaca.

Exemplos:

Prunus mume (ameixa chinesa)

 

 

 

 

 

Acer palmatum

 

 

 

 

 

Celtis sinensis

 

 

 

 

 

Jasminum nudiflorum

Substrato

Para o substrato podem ser usados uma série de materiais como areia grossa, carvão moído, caco de telha moído, vermiculita, musgo esfagno, etc. Alguns deles podem ser usados puro como por exemplo a vermiculita e a areia. Um pouco de turfa pode ser usado na mistura, mas não deve ser mais que 5% dela.

Use uma bandeja funda para fazer as estacas, faça uma camada no fundo de pedriscos para drenar, depois uma camada grossa com a mistura onde irá ficar as estacas, posicione as estacas enterrando metade dela dentro do substrato sem entrar na camada de pedriscos do fundo, feito isso coloque uma camada a mais (cerca de 2cm) de pedrisco grosso, essa camada evita que a camada abaixo se mecha quando for regar e mantém as estacas firmes no local.

Estacas de serissa em areia.
Com a camada de pedriscos.

Resultados

Os resultados dependem muito do cuidado que você tiver com as estacas, é importante manter úmido constantemente, é importante também que elas não sejam movidas dentro do substrato muito menos retiradas dele antes do tempo.

É aconselhável o uso de produtos enraizantes para aumentar a eficiência do procedimento, mas as quantidades variam de acordo com o produto utilizado, siga atentamente as recomendações da embalagem. Um enraizador eficiente para estacas é a calda de tiririca.

As estacas levam tempos distintos para enraizarem de acordo com a espécie em questão, em geral ficam na bandeja por cerca de 3 meses, nesse período as estacas devem ficar a meia sombra para evitar que o substrato seque completamente.

Propagação de Acer palmatum ‘Deshojo’, nessa primeira imagem as estaquinhas preparadas no inicio da primavera.
Acer tridente: depois de 3 semanas há acumulo de celulas tronco na base da estaca onde irá surgir o novo sistema radicular.
Acer palmatum “deshojo”: Depois de quatro semanas surge as raízes, a concentração de raízes nesse ponto é de 70%.
Acer tridente: Depois de quatro semanas com concentração de cerca de 90% de raízes, nesse caso.

Calda de tiririca como enraizador

Este artigo não se trata do comediante/político e sim da Cyperus rotundus, ela também é conhecida como junça ou barba-de-bode, é uma planta originária da Ásia, mais provavelmente da Índia.

É considerada uma das espécies vegetais com maior amplitude de distribuição no mundo, está presente em todos os países de clima tropical e sub-tropical  e em muitos de clima temperado.

Apesar de se multiplicar por sementes, a principal forma de multiplicação é através dos bulbos (raízes tuberosas) que se encontram sob a terra, apenas 5% das sementes são viáveis. Por esse motivo arrancar a planta e deixar parte de seu sistema radicular no solo não acaba com a infestação, por isso é considerada uma praga difícil de se extinguir.

Mas ela também possui um aspecto muito proveitoso, Seus tubérculos possuem substâncias que apresentam atividade alelopática (a capacidade de as plantas, superiores ou inferiores, produzirem substâncias químicas que, liberadas no ambiente de outras, influenciam de forma favorável ou desfavorável o seu desenvolvimento) frente a algumas espécies cultivadas, mas existem referências que afirmam que essas mesmas substâncias atuam como sinergistas do ácido indol acético (IAA) podendo ser utilizadas na indução de raízes em estacas.

Ou seja, ela possui substâncias em seus bulbos que estimulam a formação de raízes em estacas e alporques, e podem e contribuem no desenvolvimento das plantas.

Calda de tiririca

Para elaborar a calda utilize os bulbos da planta, lave-os com água e sabão neutro e deixe secar ao sol sobre uma folha de papel, depois bata no liquidificar com água potável, a proporção é de 50 a 200g de bulbo de tiririca para cada litro de água.

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Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyperus_rotundus

http://www.eventosufrpe.com.br/jepex2009/cd/resumos/R0597-1.pdf

 

Maldita mente descontínua

Eu fiz um post aqui no blog  sobre a Alegoria da Caverna de Platão aplicada a bonsai que o Walter Pall falou em vídeo. E pensando sobre a questão de como os bonsai evoluíram de imitações das grandes árvores para os diversos estilos de bonsai, eu me deparo com o problema que nós, pessoas comuns, temos em analisar a evolução das coisas.

Isso se deve a nossa mente descontínua, resumindo é  a nossa dificuldade de imaginar ou enxergar processos que levam muito tempo, ou muito pouco tempo, ou coisas muito grandes ou ainda coisas muito pequenas. Por exemplo,  a sequencia de desenvolvimento de uma planta, o envelhecimento de uma pessoa, os vários tons de cinza entre o branco e preto… para você entender melhor o que é isso, recomendo este vídeo. Continue reading Maldita mente descontínua

Alegoria da Caverna de Platão

Hoje assisti a esse vídeo da Academia Internacional de Bonsai onde Walter Pall fala sobre a Alegoria da Caverna de Platão explica a ideia em termos de bonsai, vou escrever um pouco a esse respeito usando as ideias deles para quem não conseguir entender o vídeo que está em inglês (sem legendas infelizmente).

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Para começar, se você não conhece a Alegoria da Caverna de Platão, eu aconselho que você leia um pouco sobre esse assunto, pode ser o resumão que tem na wikipedia mesmo, apenas para não precisar escrever aqui a parábola original.

Imagine que em uma caverna existam pessoas que nasceram e viveram alí durante toda vida, eles estão acorrentados de costas para a entrada da caverna e não podem se mover, de forma que tudo o que eles vem são as sombras projetadas na parede do fundo da caverna que são projetadas pela luz que entra de traz dos prisioneiros. Continue reading Alegoria da Caverna de Platão

Adubação em bonsai – Parte 3

Preciso me desculpar com vocês por não postar com a frequencia que eu gostaria e nem manter os prazos prometidos, mas tenho andado bastante ocupado.

Nesta terceira parte do artigo quero me concentrar principalmente na questão de nutrientes, vou tentar resumir de uma forma que possamos entender o funcionamento deles.

É importante salientar a importância que o substrato tem na nutrição das plantas, existem basicamente 16 nutrientes que são chamados de essenciais para as plantas, eles estão divididos principalmente em minerais e não-minerais.

O substrato é importante porque apenas 3 destes são não-minerais: Carbono (C), Hidrogênio (H) e Oxigênio (O), esses são providos pela água e ar, o outros 13 nutrientes a planta retira, de forma geral, do substrato. Continue reading Adubação em bonsai – Parte 3